Ex-diretor de escola de Cachoeira Paulista (SP) é preso em operação que investiga suspeita de desvios de materiais e furto de merenda
03/04/2025
(Foto: Reprodução) Segundo a PF, a escola fica na zona rural da cidade. Policiais federais cumpriram três mandados de busca e apreensão em Cachoeira Paulista e Itajubá (MG) nesta quinta (3). Computador apreendido na casa de ex-diretor suspeito de desvios em escola de Cachoeira Paulista
Laurene Santos/TV Vanguarda
O ex-diretor de uma escola na zona rural de Cachoeira Paulista (SP) foi preso em uma operação que investiga suspeita de desvio de verbas de materiais escolares e furto de merenda da rede municipal de educação da cidade.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp
De acordo com a Polícia Federal, policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão no início da manhã - um em Cachoeira Paulista e dois em Itajubá, no interior de Minas Gerais.
Um dos endereços em que a PF fez buscas foi a casa do ex-diretor, identificado como Almir José Euzébio do Prado, que acabou preso em flagrante por peculato. O g1 tenta contato com a defesa dele.
Um computador da Prefeitura de Cachoeira Paulista foi encontrado na casa do suspeito e apreendido pelos policiais.
O objetivo das buscas foi desarticular um esquema suspeito de desviar materiais escolares da escola municipal Maria Zélia Freitas Lorena, bairro rural do Embauzinho, de Cachoeira Paulista.
Polícia Federal faz operação em Cachoeira Paulista
As investigações começaram quando a Polícia Federal recebeu uma denúncia de que os alunos não tinham material escolar e "condições mínimas" para aprender na escola, o que levantou a suspeita de desvio.
A denúncia foi feita pela Associação de Pais e Mestres (APM), que identificou irregularidades nas atas de compras em 2023.
Mesmo sem ter ligação direta com a associação, Almir José Euzébio do Prado tinha acesso à ata de registros de compras de materiais escolares e fez registros sem o conhecimento dos membros.
Foram registradas compras de produtos com verba do programa Dinheiro Direto na Escola, do Ministério da Educação. Apesar disso, parte desses materiais nunca foi entregue aos alunos.
Escola municipal Maria Zélia Freitas Lorena, bairro rural do Embauzinho, de Cachoeira Paulista
Reprodução/TV Vanguarda
Segundo a denúncia, alguns materiais escolares - que deveriam ser usados pelos alunos - chegaram ser encontrados na casa do ex-diretor da escola.
A suspeita é que os desvios tenham sido feitos entre 2020 e 2023, período em que Almir José Euzébio do Prado foi diretor da unidade de educação, e somam mais de R$ 9 mil.
Essa identificação feita pela APM só foi possível quando Almir foi afastado do cargo por suspeita de outro crime - furtar alimentos usados na merenda escolar.
Além do mandado de busca e apreensão na casa do ex-diretor, em Cachoeira Paulista, os policiais fizeram buscas em endereços de Itajubá (MG) suspeitos de serem dos responsáveis de empresas investigadas por receberem dinheiro a mais pela venda de itens à escola, como livros e brinquedos, mesmo sem entregar todos os produtos.
A operação recebeu o nome de 'Alvo 53', em alusão ao artigo 53 Estatuto da Criança e Adolescência, que garante o direito à educação.
A Polícia Federal informou que os crimes investigados são peculato, associação criminosa, fraude licitatória e falsificação de documento público contra a escola rural da cidade.
Casos os crimes sejam constatados, os investigados podem ser condenados a 20 anos de prisão.
O que diz a Prefeitura de Cachoeira Paulista?
Em um vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito de Cachoeira Paulista (SP), Breno Anaya (PP), confirmou a operação realizada pela PF na área da educação da cidade, mas afirmou que os crimes investigados não tem relação com a atual gestão municipal.
O último prefeito da cidade, Antônio Carlos Mineiro (Avante) informou que abriu um processo administrativo contra o ex-diretor e registrou um boletim de ocorrência quando recebeu a denúncia sobre o caso.
O que diz a APM?
Associação de Pais e Mestres (APM) informou que agiu dentro da legalidade, "notificando e denunciando as irregularidades perante os órgãos competentes" e que aguarda o desfecho da atuação da polícia.
O que diz o Ministério da Educação?
A reportagem também acionou o Ministério da Educação, responsável pelas verbas do programa Dinheiro Direto na Escola, que informou que o programa é um repasse legal, previsto em lei e feito anualmente.
A pasta disse também que a responsabilidade de acompanhar a execução dos recursos e participar da análise das prestações de conta é da prefeitura.
"No caso específico da Unidade Executora da escola referida, as prestações de contas foram encaminhadas ao FNDE e aprovadas sem ressalvas, sem indícios de uso indevido dos recursos."
Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina